GUARDA COMPARTILHADA EM TEMPOS DE ISOLAMENTO: BOM SENSO É SEMPRE O MELHOR CAMINHO

//GUARDA COMPARTILHADA EM TEMPOS DE ISOLAMENTO: BOM SENSO É SEMPRE O MELHOR CAMINHO

GUARDA COMPARTILHADA EM TEMPOS DE ISOLAMENTO: BOM SENSO É SEMPRE O MELHOR CAMINHO

Por Ainah Hohenfeld Angelini Neta.

Vivemos um momento de grande excepcionalidade, com uma reclusão domiciliar imposta por um perigo quase invisível: o corona vírus.

Rotinas alteradas, famílias em casa. Quando todos estão juntos, pais e filhos, a questão é mesmo pensar em alternativas para encarar o isolamento. Mas quando os pais são separados e possuem a guarda compartilhada? O que fazer?

Hoje um cliente me ligou com a seguinte questão: Dra., temos a guarda compartilhada do nosso filho, no entanto, em razão das atividades escolares rotineiras da criança, ele passa mais dias com a mãe normalmente. Mas nestes tempos de rotina alterada, nos quais meu filho não terá atividades escolares, propus a mãe que pudéssemos dividir igualmente o tempo da criança, já que também estou em casa e com tempo livre para cuidar dele, ela negou.

Imagino que muitos pais e mães estejam passando por situações semelhantes.

Ora, é preciso aqui lembrar que o instituto da guarda compartilhada nada mais é do que uma tentativa legal de reforçar a ideia de compartilhamento das responsabilidades e do exercício da autoridade parental com relação aos filhos menores por ambos os genitores que já não vivem – ou mesmo nunca viveram – a conjugalidade, tendo como principais fundamentos a co-responsabilidade dos genitores e o equilíbrio na divisão do tempo de convivência dos pais com seus filhos.

A guarda compartilhada é, assim, uma aplicação prática dos princípios do melhor interesse da criança ou adolescente e da solidariedade familiar, reforçando os laços de ajuda mútua e cuidado, que não se desfazem com o fim da união dos genitores.

Muitas vezes, na fixação da guarda compartilhada em um caso concreto, por questões mesmo de ordem prática na rotina da criança, se estabelece o domicílio da mesma com um dos genitores,  permitindo-se ao outro o direito à convivência parental em dias específicos. No entanto, esse ajuste não pode significar jamais uma distorção do instituto da guarda compartilhada, muito menos engessar o direito à convivência entre pais e filhos.

Em tempos de isolamento social, a convivência com ambos os genitores se torna ainda mais importante para as crianças, representando um importante suporte para a superação das dificuldades do momento. Pais e mães: hora de pensar em menos em si, e olhar para seus filhos… hora de bom senso e acolhimento.

2020-03-24T11:35:28-03:0024/ 03/ 2020|