Procurador de município deficiente visual é aprovado em segundo lugar para o Ministério Público da Bahia

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Procurador de município deficiente visual é aprovado em segundo lugar para o Ministério Público da Bahia

Foco, concentração, dedicação, renúncia e muito mais. É assim que Fernando Gaburri, professor e membro da Comissão da Pessoa com Deficiência do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, explica mais uma conquista pessoal e profissional. Deficiente visual no grau de cegueira, ele foi aprovado em segundo lugar no concurso do Ministério Público da Bahia.

“Toda conquista é o resultado de um esforço, mais ou menos longo, que só a família e as pessoas mais próximas conhecem. Para chegar até aqui não foi fácil, considerando que já tinha estabilidade no cargo de Procurador do Município de Natal e de Professor Adjunto da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Antes de começar a preparação para as provas, foi necessário avaliar se abrir mão de tudo isso em busca de um outro sonho valeria a pena”, afirma Fernando Gaburri.

Exemplo de superação e com uma história de vida que inspira, ele diz que pretende estimular mais pessoas a transporem as adversidades e ir em busca dos seus sonhos.

“Penso que essa conquista não inspira só as pessoas com deficiência, que já convivem com dificuldades a mais, em comparação com as demais pessoas. Mas também, e talvez principalmente, as pessoas sem deficiência, que muitas vezes se dirigem a mim como fonte de inspiração, por não deixar as dificuldades vencerem-me”, afirma.

Planos para o novo trabalho

O novo trabalho é permeado por uma gama de responsabilidades. E Fernando Gaburri diz que sempre quis poder ajudar a tornar nosso País mais agradável e acessível às pessoas com deficiência.

“As pequenas coisas do cotidiano muitas vezes são inacessíveis às pessoas com deficiência. Considerando as pessoas com deficiência visual, observo que existem máquinas de cartões de crédito touch screen, que inviabilizam a digitação da senha por quem não tem acuidade visual; publicidades televisivas para cuja aquisição do produto é necessário ligar para o número que aparece na tela; bancas de concursos públicos que criam resistência no deferimento de requisitos de acessibilidade; carência de livros em formato acessível etc. Coisas que pessoas sem deficiência sequer reparam”, explica.

Se consideradas as outras deficiências, ele lembra que essa lista torna-se infinita, pois os ônibus, os táxis, os aviões, nem sempre são fabricados segundo o desenho universal, o que dificulta o acesso por pessoas com deficiência física; no Brasil, a quantidade de ouvintes que dominam a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS – é muito pequena e, se considerarmos o universo dos servidores e prestadores de serviços públicos, esse universo é ainda menor.

“Temos uma legislação magnífica sobre os direitos das pessoas com deficiência, a exemplo da Constituição, da Convenção da ONU, do Estatuto da Pessoa com Deficiência e muitos outros diplomas normativos. Agora precisamos fazer com que a vontade do titular do poder soberano, o povo, que está espelhada nessas leis, seja concretizada”, conta.

Fernando Gaburri espera corresponder a todas as expectativas depositadas sobre ele.

“Procurarei participar das atividades do Centro de Aperfeiçoamento Funcional, colaborando com o que for possível para a difusão da cultura jurídica no âmbito do Ministério Público, e também permanecerei associado ao IBDFAM, participando de suas atividades, projetos editoriais, congressos etc”, afirma.

Além disso, ele lembra que tem um grande carinho pela academia. Por isso, vai dar andamento à coleção, em 7 volumes, que está escrevendo, intitulada “Direito de Família para sala de aula”, dos quais 5 já estão publicados.

“Com essa obra procuro ajudar os acadêmicos de direito e aqueles que se preparam para os mais diversos concursos a entenderem o direito civil como ele deve ser: simples, importante e maravilhoso”, finaliza.

Fonte: IBDFAM

2020-01-14T23:02:31-03:0014/ 01/ 2020|